Quinta-Feira, 11 de Março de 2010    

História de um Papagaio !

O papagaio de papel não é de origem portuguesa nem europeia. É uma tradição milenar, atribuída aos chineses. Conta-se que Han-Sin (século III, AC), hábil general, empregou-os para que soubesse exactamente onde se ...

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História de um Papagaio de Papel

Já estamos em plena estação dos papagaios de papel.

Aliás, demorou um pouco a aparecerem. A estação invernosa é mais propícia a eles por causa dos ventos, posto que o verão parecesse melhor pela ausência de chuvas. Eles agora começam a enfeitar o céu com suas cores e de certo modo a promover caçadas. Essas caçadas dependem de muita estratégia e se valem dos elementos cerol e gilete. Um bom empinador de papagaios que não se sirva desses elementos não consegue manter-se firme na opinião pública dos aficionados e o papagaio também não consegue manter-se firme no ar por muito tempo sem ser caçado. O brinquedo popular e popularizado universalmente possui já um vocabulário especial e uma técnica que não é conhecida universalmente. No Brasil, ele recebe vários nomes: pandorga, pipa, arraia etc. No Amazonas, conhecemos os nomes e as variedades do brinquedo: papagaio, morcego, arraia, frade, curica, sendo estes dois últimos, apenas uma recorrência filiada àqueles, não consentindo possuir a mesma técnica de fabricação nem os mesmos elementos formais.

O papagaio de papel não é de origem portuguesa nem europeia.

É uma tradição milenar, atribuída aos chineses. Conta-se que Han-sin (século III, AC), hábil general, empregou-os para que soubesse exatamente onde se encontravam as suas tropas, e mesmo para enviar mensagens.

Já naquele tempo os papagaios de papel, passando ao popular, mantinham também espírito desportivo e os garotos da China sabiam manejá-los de modo a "por meio de hábeis movimentos do cordel, fazer passar o papagaio por cima de um outro".

A enciclopédia chinesa Khe-tch i-king-youan, que informa a respeito da velhice do papagaio de papel, não diz se já usavam cerol e elementos outros de destruição dos papagaios adversários, mas observa que os chineses, fiéis a uma tradição antiga, gostavam de fazer subir ao ar dragões e serpentes, gênios e animais fantásticos, com que se deliciavam.

Um outro ponto importante é que o divertimento não era exclusivo dos rapazes. Velhos de barbas brancas, nobres, filósofos, generais, o povo enfim, mandava para o ar seus papagaios de papel, fazendo com que o céu se povoasse de toda sorte de figuras imaginárias, inclusive à noite, possuídos de lanternas.

O divertimento hoje em dia está mais modificado, já não se usa regularmente cauda de pano, mas de papel (jornal), omitiram as roncadeiras, as arraias e morcegos desapareceram quase.

E foi com o papagaio de papel que Benjamin Franklin descobriu o pára-raios.